quinta-feira, fevereiro 17, 2005

A frase da semana

Trapattoni revela tudo numa frase.

Na antevisão ao jogo CSKA-Benfica, o italiano diz que «O importante é não perder».

Em primeiro lugar é notório o realismo do italianao. Ele pode já não jogar com o baralho todo, pode não ver os jogos da equipa B e pode até não saber os jogadores que estão no banco, mas a verdade é que Trap sabe mais a dormir que muitos treinadores acordados.
Ao dizer que o importante é não perder, Trap está a reduzir o Benfica àquilo que ele é hoje. Um clube (ou instituição) vulgar no contexto europeu que tem de ir à Rússia jogar contra uma equipa sem história e em campo neutro para não perder. Jesualdo Ferreira com o Braga ou Jaime Pacheco com o Boavista diriam o mesmo. Clubes modestos têm de ser assim. Humildes e realistas.

Acho que Trap não é treinador para o Benfica. Não é ele que vai fazer o clube renascer da lama, nem é ele que vai cá estar no próximo ano para reconstruir uma equipa sem Miguel, Ricardo Rocha, Luisão, Moreira, Manuel Fernandes e quiçá Simão. Mas isso não é o mais imporante para esta direcção. O orelhas e o tonecas querem é o guito das vendas destes jogadores. Querem delapidar a última gota de sangue que esta instituição ainda vai tendo. E nem sequer parecem perceber as palavras sábias deste italiano. Jogar na Rússia para não perder significa muito mais que uma possível ou não passagem aos oitavos de final da Taça UEFA. Significa um diagnóstico sucinto do estado actual do nosso clube.
É preciso fazer algo. É preciso que o Benfica vá à Rússia para não perder, mas que ao mesmo tempo sejam tomadas as medidas para que, daqui a uns anos, o Benfica ainda dispute competições europeias (pelo menos a Intertoto).