sexta-feira, março 10, 2006

Os grandes gestores

Já todos nós sabíamos que o Sporting tinha os melhores gestores de Portugal. Bons currículos, empresários de sucesso no mundo da vinha e da banca. Enfim, grandes senhores. O que não sabíamos era que o Sporting tinha também os gestores mais engraçados.

Soares Franco vem desculpar a fraca gestão financeira do Sporting com a gestão dos concorrentes. Faz-me lembrar aqueles putos estúpidos que quando são castigados pelos professores, dizem: «Mas o joãozinho também estava a falar e não foi castigado».

Desculpar os erros com (possíveis) erros dos outros é muito feio.

Depois há dois detalhes importantes que explicam que o passivo do Benfica seja superior ao do Sporting.

1) Por exemplo, o passivo do Modelo/Continente é superior ao do Supermercado Marrachinho (cadeia retalhista algarvia), o que é absolutamente normal. Aconselho o Sr. Soares Franco a relativizar os números. Talvez dividir a dívida pelos activos ou pelo capital próprio. Ou até pelo número de clientes (neste caso sócios). Enfim, penso que o whisky ainda permite fazer contas de dividir

2) O passivo nunca é preocupante quando os devedores cumprem com o serviço da dívida. E o património colateral só entra em debate, quando surge incumprimento. Por exemplo, um jovem de 20 anos sem património nenhum pode comprar uma casa de 1 milhão de euros e pedir este dinheiro ao banco. Desde que tenha uma salário que o permita (ou seja desde que tenha resultados correntes e recorrentes), o banco concede-lhe o empréstimo e ainda lhe oferece cartões de crédito e lava-lhe o rabinho com água de rosas. Quando esses resultados começam a falhar, o banco vai pedindo coisas em troca. Primeiro renegoceia-me prazos (com o devido aumento dos juros, claro), depois pede-se ao devedor para mudar para uma casa mais barata. Finalmente se nada disto surtir efeito, o banco executa tudo: a casa, o carro, as camisas, a mulher, as garrafas de Jamesson e o relógio do centenário.

Adoro o Sporting. Diverte-me.